
Relações de Pesquisa: processo, experimentação e acervo
curadoria colaborativa de Mel Ferrari, Jordi Tasso e Thais Meinerz
A exposição apresenta um recorte de seu acervo inicial, mostrando os processos e experimentos que foram desenvolvidos pelos artistas da década de 1990. Para isso, foram reunidos documentos do Ciclo Arte Brasileira Contemporânea (CABC), importante iniciativa de fomento às artes visuais que ocorreu de 1992 a 1994, realizado pelo Instituto de Artes Visuais do Rio Grande do Sul (IEAVi) idealizado pelo diretor Gaudêncio Fidelis e continuado pelo diretor José Francisco Alves.
Relações de Pesquisa é fruto de uma pesquisa e dedicação que com certeza ultrapassou as funções de um estágio, nasceu de uma curiosidade e de uma equipe interessada na história do museu. Foi um exercício de coletividade curatorial sobre obras e trabalhos de grandíssima importância para o acervo da instituição.
artistas
ÂNGELO VENOSA
CARLOS FAJARDO
CARLOS VERGARA
DUDI MAIA ROSA
IOLE DE FREITAS
JAC LEIRNER
KARIN LAMBRECH
MARCO GIANOTTI
NUNO RAMOS
VERA CHAVES BARCELOS
RESTAURO AO VIVO!
A obra “Sem Título” (1991), de Nuno Ramos, é uma das primeiras a integrarem o acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS). Possuindo 2,20 x 3,80 x 0,50 m, a peça impacta pelas dimensões e pelos materiais que a compõem: espelhos, tecidos, folhas, plásticos, tintas, metais, resina e outros sobre madeira. É justamente a instabilidade dos materiais agrupados e o caráter experimental adotado na feitura do trabalho que interessa conceitualmente o artista. A obra é representativa da fase 1991-1994 de Nuno, época em que havia a preocupação de criar outras formas de se pensar a pintura, sendo um exemplar importante para a história da arte nacional.
Após a realização do laudo técnico da obra e de conversas com o artista sobre as etapas de preservação e de restauro, foi elaborada a estratégia para os procedimentos que foram realizados pela conservadora-restauradora do Palácio Piratini, Isis Fófano, e a restauradora Fernanda Rodrigues, que aconteceu de forma aberta ao público que visitava a exposição por quase um mês.



NUNO RAMOS (São Paulo/SP, 1960)
Sem Título, 1991
Espelhos, tecidos, folhas, plásticos, metais, resinas
e outros materiais sobre madeira. 250x400x50 cm
Acervo MACRS - Doação do artista
Exposição Ciclo da Arte Brasileira Contemporânea, 1992

MARCO GIANNOTTI (São Paulo/SP, 1966)
Fachada em Azul e Vermelho, 1994
Óleo sobre tela. 230x391 cm
Acervo MACRS - Doação do artista
Exposição Ciclo da Arte Brasileira Contemporânea, 1994





VERA CHAVES BARCELLOS (Porto Alegre/RS, 1938)
Escombrarium, 1991
Eletrografia e fotografia manipulada sobre tela e caixa de madeira com escombros. 163,5 x 128,5 x 6,5 e 25 x 68,5 x 48,5 cm.
Doação da artista
Exposição Ciclo da Arte Brasileira Contemporânea, 1993

A esfera de glicerina de Carlos Fajardo deu o que falar durante todo o projeto, primeiramente acreditávamos haver mais de uma esfera e que algumas haviam se perdido, já que os registros históricos ao longo dos anos da obra eram diferentes - depois de certo tempo percebemos que a esfera de glicerina que foi guardada 30 anos atrás em uma caixa eclodiu pouco a pouco, revelando a obra que foi exposta, este grande ovo de dragão escamoso - pra mim a peça chave da exposição.





CARLOS FAJARDO (São Paulo/SP, 1941)
Sem Título, 1989
Escultura. Esfera de glicerina moldada, 58 cm
Acervo MACRS - Doação do artista
Exposição Ciclo da Arte Brasileira Contemporânea, 1992
1,30 x 2,70cm

SEMINÁRIO - PROCESSO, EXPERIMENTAÇÃO, ACERVO
Uma exposição de arte envolve uma série de especialistas e trabalhos especializados. Historicamente, temos observado uma hierarquia institucional nos papéis desempenhados, especialmente na produção, montagem e curadoria.
O curador assume o papel de autoridade, o produtor realiza as ações e a montagem executa o processo. No entanto, diversas práticas interdisciplinares têm desafiado essa hierarquia, embora raramente sejam incorporadas em projetos institucionais. Pensando nisso, o Museu de Arte Contemporânea do RS (MACRS) trouxe convidados especiais para um encontro/debate sobre os processos que desencadearam em tal exposição.
O Seminário “Processo, Experimentação, Acervo” foi gratuito e contou com a presença de Mel Ferrari, Jordi Tasso e Thais Meinerz (pesquisadores, curadores, montadores e produtores da exposição “Relações de Pesquisa”), de José Francisco Alves (artista, professor e ex -diretor do MACRS), de Ana Albani (professora e pesquisadora), além de Carlos Fajardo (artista visual e professor), e de André Severo (artista, curador, produtor e gestor cultural).
O diálogo iniciou revelando o processo de colaboração que acontece em uma exposição institucional, seguindo com os relatos de produção do projeto “Ciclo Arte Brasileira Contemporânea”, que aconteceu no MACRS nos anos 90, assim como os processos para se realizar uma curadoria naquela época. Por fim, os convidados encerrarão a conversa falando um pouco sobre pintura expandida e sua contextualização histórica na geração de 1980.



A pesquisa durante a pré produção da exposição foi bastante vasta e conseguimos encontrar diversos documentos que remontam os acontecimentos do Ciclo Brasileiro de Arte Contemporânea e a origem das atividades que resultaram nas doações das presentes obras expostas. Em diversas vitrines na exposição o público teve acesso aos pedidos de apoio para a construção das obras, memorandos que solicitavam fitas crepes e parafusos, catálogos impressos da época, laudos de restauro e outros tão específicos recortes históricos.
Buscando criar uma ponte entre o ontem e o agora, cada obra recebeu uma plotagem informativa sobre o contexto histórico das residências realizadas pelos artistas na década de 90 no MACRS, afinal de contas, uma de nossas perguntas iniciais para o projeto sempre foi: o que era contemporâneo na década de 90?

KARIN LAMBRECHT (Porto Alegre/RS, 1957)
Ester ou Ester entra no pátio interior da casa do rei,1987
Pintura (7 partes). Pigmento, tinta acrílica, goma laca
sobre tela e metal enferrujado com estrutura de madeira. 250x220 cm
Doação da artista

vistas da galeria




Outro restauro importante da exposição veio a público apenas um mês depois de aberta a visitação, além de acreditarmos em uma exposição que assim como as propostas que a originaram, pudesse ser ativa, viva e mutável, existe um único lugar autorizado para restauros de obras do artista Ângelo Venosa, com seu próprio estoque de dentes de cavalo e chumbo. Assim, a peça foi enviada para São Paulo e retornou para os últimos 45 dias de visitação da mostra!
ANGELO VENOSA (São Paulo/SP , 1954 - 2022)
Sem título, 1993
Dentes e chumbo, 3 partes:7x26x2, 3,5x19,5x2 e 2,5x24x2 cm.
Acervo MACRS - Doação do artista
Exposição Ciclo da Arte Brasileira Contemporânea, 1993

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equipe de produção se divertindo na abertura